
Alan Moore é um mago. E anarquista. E escritor. E músico. E criador de
jogos. E, finalmente é o autor de Watchmen, a coisa mais inteligente que já foi
classificada como "gibi de super-heróis". Alan Moore é o mais influente autor dos
quadrinhos ingleses. Líder inconteste da chamada "invasão inglesa" que aconteceu nos
quadrinhos dos anos 80 apresentando ao mundo Neil Gaiman. David Gibbons. Brian
Bolland, Grant Morrison, Jamie Delano,
Garth Ennis e tantos outros.
É o criador das bases sobre as quais se moldou uma divisão inteira da
DC Comics: a
Vertigo, um selo
(quase um gênero) que tem lançado os gibis do Sandman, Hellblazer, Preacher e
outros. Cada um desses gibis, indiferentemente ao autor, existe desenvolvendo
detalhes e idéias lançadas originalmente por Moore.
Alan Moore é um superstar idolatrado por adolescentes do mundo inteiro e, ao
mesmo tempo, elogiado por diversas e respeitáveis revistas literárias.
Mas ele é ainda mais: um hippie de dois metros de altura e voz de trovão que
continua vivendo onde nasceu em Northampton, uns 100 quilômetros ao norte de Londres,
de onde não sai nem na porradas. Alguém que, no auge do estrelato no mundo das
grandes editoras, largou tudo e foi fazer gibis undergrounds contra o governo
norte-americano, contra Thatcher, contra a CIA. Enquanto fumava haxixe.
Nunca mais Super-Homem ou Batman tiveram a glória de receber roteiros de Moore. Mas
o mago anarquista e roteirista não está parado. Muito pelo contrário, é mais ativo
do que nunca. Escrevendo novas HQ's, preparando livros, compondo músicas, cantando em
CDs e planejando o grande ato de magia subversiva que irá transformar todo o planeta.
General: Alan, o que você tem feito nesses últimos tempos?
Alan Moore: Acabo de concluir From Hell e também um apêndice que fala da evolução da
história de Jack, o Estripador. Continuo trabalhando com Melinda Debbier em Lost
Girls, apesar desse material não estar sendo publicado.
Estou mexendo bastante com música. Estamos em estúdio concluindo um CD baseado em
uma performance que fiz em Londres, em Novembro, chamada "The Highbury Working",
sobre a história e os mitos de Highbury. Deve sair pela gravadora Codex, que acabou
de lançar o CD Brought To Light, uma adaptação musical do gibi, que fiz com Gary
Lloyd (músico de Wasp Factory). Continuo trabalhando em estúdio aquele projeto de
disco/cabala. Deve sair o ano que vem. Quem sabe não façamos a premiere mundial
disso no último dia do milênio.
Em termos de quadrinhos, andei fazendo um trabalho retrô bem interessante para a
Awesome Comics, bem no estilo dos heróis antigos, com vários desenhistas. Há poucos
meses, infelizmente, a Awesome faliu. Cerca de 400 páginas de meu material acabara,
não sendo publicadas, não sei o que vai acontecer (nota do editor: a Awesome se
recuperou e promete publicar essas HQs do Alan Moore).
No momento, estou trabalhando com Jim Lee para a America's Best Comics. Eles me
deram liberdade total para escolher os artistas (desenhistas) e os temas, mas a
direção é bem mainstream, bem comercial mesmo. Estou tentando dar uma revitalizada
nas formas tradicionais de narrativa de quadrinhos.
Tem também a League of Extraordinary Gentlemen, que deve sair em dezembro, uma série
com Kevin O'Neil - o trabalho dele é maravilhoso. Ela se passa na era vitoriana, e
tem "super-heróis" como Drácula, Dr. Jekyll, Capitão Nem e Alan Quartemain. Há um
sem número de citações e personagens fictícios dessa era. Por exemplo, no primeiro
número, a personagem "Nana", do romance de Emile Zola, é encontrada morta na Rua
Morgue. Coisas desse tipo. É sexy, engraçado, excitante e tem um ritmo perfeito. É
assim que eu acho que uma boa HQ deve ser.
General: Você não estava trabalhando com Dave Gibbons (desenhista de Watchmen) num
CD-Rom?
Alan Moore: O CD empacou porque a idéia original era grandiosa e cara demais.
Estávamos desenvolvendo o projeto, tentando juntar a tecnologia do CD-ROM com
conceito arcaico de magia. Queríamos nos distanciar dos tradicionais jogos de
fantasy, fazer algo bem diferente. Mas para que a criação pudesse ser levada a diante,
teríamos que abrir mão do controle sobre o resultado final. Por isso suspendemos o
projeto até descobrirmos uma forma mais low-tech, menos custosa, de levar a coisa
adiante.
General: Você surfa na Internet?
Alan Moore: Não, de jeito nenhum. Tenho um PC, mas não entro na rede. Sou uma
espécie de "eremita cibernético". Acho que a Internet deve ser uma coisa legal para
todo mundo, menos para mim. O glamour da cultura cibernética simplesmente não me
atrai. Jamais responderia e-mails, imagine, raramente atendo ao telefone.
Mesmo porque toda informação que preciso eu consigo com um telefone e um fax. Sei que
existem vários sites sobre "Alan Moore", isso me dá medo. O Neil (Gaiman) tentou me
atrair para Internet, e eu disse a ele que tenho medo de fãs obcecados malucos.
Depois o Neil me contou que um fã maluco acabou botando o endereço dele (Neil) na
Internet. Outro dia um amigo me ligou, dizendo "parabéns, fiquei sabendo que tua
filha vai se casar". Eu sabia que ela estava considerando a hipótese, mas era um
assunto de família. De repente era uma informação pública, circulando na Internet.
Isso me dá arrepios.
General: Como você avalia esse primeiro ano e meio de gestação trabalhista no
governo britânico?
Alan Moore: Bom, sou anarquista e não voto, sou contra qualquer tipo de partido. Esse
partido trabalhista que está aí (liderado pelo primeiro ministro Tony Blair) não tem
nada a ver com o partido trabalhista saído da classe trabalhadora. Na última eleição
nós tivemos 3 partidos conservadores disputando entre si, um deles era o dito
trabalhista. É por isso que eu perdi a fé na democracia há muito tempo. Várias das
propostas do governo Blair são mais reacionárias que as dos conservadores. Eles
governam para classe média.
O partido trabalhista representou os interesses de minha classe um dia. Cresci e
vivi com essa ligação. Hoje Tony Blair faz campanha solicitando que as pessoas não
dêem esmolas, para desencorajar os mendigos. Não é esse o papel dele. Ele tem que
apresentar propostas políticas para que as pessoas tenham trabalho e meios de
sobreviver sem ter que pedir esmola na rua. Ele afirma estar falando de
"mendigos agressivos". Mas, para classe média, todo mal-barbeado que pede um trocado
está sendo "agressivo".
General: Se convidado, você iria a uma convenção de HQs no Brasil?
Alan Moore: Meu caro, não vou à convenção em lugar algum do mundo. Não consigo me
sentir à vontade nesse tipo de evento. Recebo convites de vários lugares maravilhosos,
fico lisonjeado, mas sinto muito, não sei lidar com a posição de celebridade.
General: Mas você não é um recluso, um eremita. Ou é?
Alan Moore: De certa forma, sim. Não tenho vontade alguma de viajar, não saio quase
nunca dessa cidade. E eu realmente pareço um eremita, pelo menos tenho o aspecto de
um. Mas não vivo na caverna. Saio muito com meus amigos de Northampton, mantenho
relações.
General: Diversos outros roteiristas de quadrinhos estão experimentando escrever
para o cinema, você não tem nenhum plano de ir à Hollywood?
Alan Moore: Me convidaram para escrever o Robocop 2, que Frank acabou fazendo. Eu
recusei. E outras propostas também. A única vez em que escrevi um roteiro para um
filme, foi para Malcolm Mclaren, o ex-empresário dos Sex Pistols. O filme acabou não
sendo feito. O título seria Fashion Monster, uma biografia de Christian Dior. Mclaren
é um dos meus heróis, foi divertido trabalhar com ele. Mas Hollywood me dá arrepios.
Frank Miller ganhou muito dinheiro com isso, mas ele me contou que a experiência foi
um pesadelo. Neil Gaiman também teve uma experiência ruim semelhante, ele escreveu
uma série de TV (Neverwhere, para a BBC).
General: Você assistiu aos dois filmes do Monstro do Pântano?
Alan Moore: O primeiro foi adaptado de HQs escritas antes de eu entrar na revista. O
segundo foi obviamente baseado nas coisas que escrevi. É uma espécie de piada sem
graça. A DC tinha feito um acordo cedendo todos os direitos sobre todas as histórias
do Monstro do Pântano que tinham sido ou que ainda seriam publicadas! Todo esse
material estava a disposição do diretor do filme. Ele podia usar qualquer desenho
de Steve Bissette ou John Totleben, qualquer história que eu tivesse criado, sem
precisar nos dar crédito algum. Se você fizer algo importante, seja o dono!
General: Então é verdade que nas grandes editoras de HQs, o autor não é o dono
dos direitos autorais?
Alan Moore: A indústria de HQ ainda esta na idade da pedra. Não é como em música,
cinema ou literatura. Há tantas histórias de horror a este respeito, a começar pelo
caso e Joe Schuster e Jerry Siegel, os criadores do Super-Homem, Eles venderam os
direitos por 35 dólares.
Schuster morreu cego, num asilo. E o monte de dinheiro que fizeram com o filme!
Deram-lhe uma pensão simbólica, para desencargo de consciência, para silencias as
críticas. Steve Ditko (primeiro desenhista do Homem-Aranha), no ano das celebrações
do Homem-Aranha, vivia num YMCA, e antes disso, na rua. As grandes editoras dizem que
as criadoras são elas. Você é contratado para "ajudá-los". O Pato Donald é de Walt
Disney, e não de Carl Barks, seu verdadeiro criador. Desde que eu, Frank Miller e
outros autores e desenhistas abandonamos essas editoras, muita coisa mudou, eles
tiveram de fazer concessões. Hoje eles são obrigados a oferecer direitos e
royalties.
General: Essas "concessões" foram responsáveis pelos problemas financeiros de
editoras como a Marvel?
Alan Moore: Eu diria que a quebra da Marvel foi uma manifestação física da falência
moral e criativa que assola toda a indústria de HQ. Foi festão mal-feito mesmo. Por
exemplo, uma das coisas que mais afetou a Marvel no início dos anos 90, foi quando
toda geração mais nova, gente como Todd McFarlane e Jim Lee, saiu da empesa e fundou
uma companhia própria. A formação da Image Comics abalou a Marvel. Se eles tivessem
concedido aos artistas pelo menos um pouco, apenas alguns dos direitos, tenho certeza
que eles teriam ficado. Mas não, eles queriam ficar com tudo, e agora estão falidos.
Bem feito.
Nos anos 80 todos falavam em renascença dos quadrinhos, mas isso não aconteceu. O que
houve foi que quatro ou cinco pessoas fizeram livros excepcionais numa mesma época.
Nós fizemos Watchmen, Frank Miller fez o Cavaleiro das Trevas. Art Spiegelman fez
Maus e os irmãos Hernandez fizeram todas aquelas coisas maravilhosas na revista
Love&Tockets.
O pessoal que lidava com o marketing esfregou as mãos de felicidade, com o conceito
de "graphic novel". Era só juntar seis episódios de She-Hulk e pronto, temos uma
graphic novel. Ou mesmo as histórias mais fracas do Batman: tudo dava para se
juntado numa graphic novel. E, de fato, o novo formato ia muito bem. Todas as
grandes livrarias tinham aberto uma seção de graphic novel, que sempre estava cheia
de novos produtos.
Hoje em dia isso não existe mais. Foi um hype, uma onda criada artificialmente pelo
pessoal de marketing das editoras. Eles não estavam interessados em HQs como arte,
mas como um evento de mídia. E se houve alguma coisa positiva disso tudo, é que hoje
existe uma fatia bem mais ampla do público que aceita quadrinhos como uma forma
legítima e rica de expressão artística. A mídia já não liga mais tanto. Veja o que
aconteceu com Stock Rubber Baby, de Howard Cruise, uma tour-de-force, brilhante. Foi
quase ignorado.
General: Você mesmo ainda desenha?
Alan Moore: Às vezes. Recentemente desenhei a capa do CD de uma coletânea de textos
declamados (spoken word) para a Creation Books, o braço literário da mesma gravadora
do Oasis - que, aliás, eu odeio. Pete Whitehead, um cineasta dos anos 60, lançou uma
fantasy novel sobre ocultismo egípcio. Fiz a capa do livro. Levou séculos!
Francamente, é um trabalho dos diabos.
General: O que você acha do trabalho de Katsuhiro Otomo
(autor/desenhista de Akira)?
Alan Moore: Akira é um tremendo pedaço de trabalho. Mas, num nível emocional, eu não
conectei com a arte. Não me engajei. Quando vi Akira, o desenho animado, não sabia do
que tratava a história. Me perdi no meio do filme. Sei que mangá é bem popular no
momento. Mas passei a me distanciar cada vez mais de ficção científica e fantasy,
desse tipo de cultura pop. No passado eu não lia outra coisa. Hoje eu me interesso
mais por literatura moderna.
General: Você cresceu lendo quadrinhos?
Alan Moore: Desde o sete anos de idade. Eu lia quadrinhos britânicos, que eram sobre
futebol, soldados, policiais, coisas comuns da vida britânica. Todo garoto que
dà classe trabalhadora fazia isso. Quando tinha uns oito anos ganhei minha
primeira revista do Flash. Era um mundo exótico, diferente. Era em cores, tinha
arranha-céus, super-heróis. Anos depois surgiu a Marvel Inglesa, e eu me liguei
imediatamente nas suas revistas, no Quarteto Fantástico. Eu era fascinado, como
qualquer criança. Quando entrei na adolescência, descobri Will Eisner, a revista Mad,
Kurtzman, e pela primeira vez pensei em um dia fazer quadrinho. Quando tinha uns 20
anos, eu me sentia menos atraído por HQs, e mais por sexo, drogas e rock'n roll. Na
época todo mundo escrevia poesias ou novelas beat e sonhava em vê-las publicadas.
Ao mesmo tempo precisava de dinheiro para viver e fiz coisas absurdas. Trabalhei numa
fábrica, minha função era retirar peles de carneiro de um tanque cheio de sangue e
urina. Limpei privadas num hotel, trabalhei em escritórios. O meu primeiro trabalho
com quadrinhos foi com uma tira, que eu mesmo desenhava, para a revista Sounds,
durante uns quatro anos. Dava para pagar o aluguel. Nesse meio tempo desenvolvi meu
texto. Depois passei a enviar roteiros como Dr. Who e 2000 AD. Depois apareceu a
Warrior, para a qual fiz Marvelman e V de Vingança. Briguei feio com o dono/editor da
Warrior, que passou a fazer sugestões absurdas para os meus roteiros. A essa altura,
a DC já tinha me convidado para trabalhar para eles. O resto é história.
General: Citando as tuas influências, você não mencionou um único autor europeu,
como Moebius, Hergé, Edgar P. Jacobs...
Alan Moore: Hergé é grande. Não gosto muito do seu jeito de contar histórias, mas o
seu estilo artístico é impressionante. Edgar P. Jacobs é o criador de Blake e
Mortimer? É o mesmo caso. Gosto muito do Philipe Druillet, Hugo Pratt. Mas os
europeus dão ênfase aos desenhos, à arte. Me lembro que uma vez li um gibi espanhol
chamado Drácula, de Esteban Maroto. Não entendi uma palavra, mas achei genial. Ficava
imaginando os diálogos. Quando li a tradução, achei um lixo. O texto era ruim, a
história não funcionava. O mesmo acontecia quando via as coisas do Moebius, como A
Garagem de Jerry Cornelius, ou as coisas do Incal, com Jodorowski. O Incatel tem uma
visão new-age.
Minhas maiores influências são mesmo americanos como Eisner e Kurtzman. Por causa das
histórias, elas estão em primeiro plano. Não é o caso dos europeus, cujos trabalhos
giram mais em torno da arte, da criação gráfica.
General: Há algum desenhista com o qual você gostaria desesperadamente de
trabalhar?
Alan Moore: Há um monte de gente que eu admiro, mas principalmente
autores-desenhistas, como Robert Crumb, Art Spielgelman, Gilbert Hernandez. E eles
não precisam de mim.
General: Hergé e Carl Barks enviaram Tintim e o Pato Donald aos mais distantes
confins do planeta. eles ambientavam histórias no Tibet ou nos Andes, com uma pena
na mão, e uma National Geographic na outra, com resultados formidáveis. Você
confinado em Northampton, também vê o mundo através de revistas geográficas?
Alan Moore: Eu acredito plenamente na força da imaginação. Quando comecei a escrever
O Monstro do Pântano, resolvi ambientar a história numa locação real, num pântano de
fato, no sul dos EUA. Peguei um atlas, mais alguns guias turísticos da Louisiana,
pouca coisa, e comecei a escrever. Depois chegavam várias cartas de leitores do
Monstro do Pântano, perguntando quanto tempo eu tinha vivido na América. Considerei
isso um elogio, fiquei lisonjeado. A minha visão da América era mais realista e
do que a maioria dos autores americanos na época. Não tinha pesquisado
muito, mas imagino muita coisa da forma correta.
General: Você escreve sobre o efeito das drogas?
Alan Moore: Tudo o que eu escrevi até hoje, foi sobre o efeito de drogas,
principalmente haxixe. Só uso drogas psicodélicas, não gosto das outras. Cogumelo eu
também tomo bastante. Fumo cerca de 50 gramas de haxixe por semana. É um consumo alto,
mas isso projeta a minha mente para fora de convenções e padrões de pensamento. Tenho
as idéias mais estranhas. Isso é a alma da minha criatividade. Entro na "aura" de
cada palavra que escrevo. E o resultado me satisfaz plenamente. Quando escrevo no
estado "careta", nunca fico satisfeito.
General: É verdade que você não sai de Northampton?
Alan Moore: Northampton para mim, é o centro do universo. Quando estive em Nova York,
era como se eu tivesse tomado 20 cafés, o tempo todo. Não conseguia dormir, de tanto
nervosismo e excitação. Londres já é intensa demais para mim. É uma cidade fascinante,
gosto de visitá-la, mas jamais viveria em outra cidade que não fosse Hothampton.
Em 88, pensei em me mudar da Inglaterra, por razões pessoais. Minha mulher e eu
estávamos vivendo uma relação a três, com outra garota que vivia conosco. Era uma
relação aberta, não um segredo "sujo", mas uma opção de vida. E na época nós
estávamos envolvidos diretamente com movimentos e grupos pró-gays.
O governo estava tentando impor a Cláusula 28, que praticamente proíbe relações
homossexuais. Eu não queria que minha parceiras e minhas filhas fossem perseguidas
ou molestadas por causa da nossa relação. Considerei seriamente a hipótese de deixar
o país. Mas depois a nossa relação terminou, e decidi que poderia ser feliz vivendo
aqui.
Trecho de entrevista com Alan Moore retirado da
Revista General Visão número 0.
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